terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Desvendando os Mistérios do Bonsai de Azaleia Satsuki.

Hoje trazemos ao blog uma entrevista muito bem realizada pelo amigo Wagner Ribeiro, que assim como o mestre Ivson Filipak nos deixou transcreve-la aqui por completo!
Esta matéria pode ajudar amplamente de iniciantes a mais experientes um pouco mais desta espécie que fascina bonsaistas do mundo todo. Sempre é bom ler e reler afim de relembrar e rever alguns pontos.

Expresso meus agradecimentos e minha admiração a estes dois amigos que quando procurados por mim, foram muitos cordiais e prestativos. 



Por Wagner Ribeiro (http://wrbonsaimagazine.wordpress.com)
A Azaleia Satsuki possui lugar de destaque no universo do bonsai. Pensando bem, é possível dizer, inclusive, que ela transita neste universo, mas possui um mundo a parte. Os clubes dedicados às Azaleias organizam exposições exclusivas, tanto no período em que estão em plena floração, quanto na fase em que é possível observar unicamente a beleza das folhas e ramificações. Azaleia Satsuki, variedade Osakazuki, do bonsaista japonês Kunio Kobayashi quando está coberta por flores, o espectador leigo, ou seja, quem não cultiva bonsai, simplesmente é tocado pela beleza e se deixa emocionar.
Já o bonsaista que ainda não tem intimidade com as técnicas de cultivo da espécie começará a se fazer uma série de perguntas: qual o melhor tipo de substrato para Azaleia? Qual é a melhor época para o transplante? E a fertilização? Como conseguir boas ramificações? E, principalmente, como faço para que a Azaleia abra as flores todas ao mesmo tempo?
Para compreender as técnicas pelas quais é possível exprimir o máximo da beleza das Azaleias Satsukis, conversamos com o bonsaista paranaense Ivson Filipak, um dos expoentes brasileiros da arte do bonsai.

Substrato:
WR – Quais são as características do substrato ideal para a Azaleia Satsuki?
Ivson – O fundamental é que o substrato da Azaleia seja ácido. No meu caso, consigo usar um substrato importado do Japão que se chama Kanuma. O uso do Kanuma oferece algumas vantagens: ele é naturalmente ácido, o PH varia entre 4,5 e 5, retém boa umidade e, por ser leve, proporciona boa aeração e favorece o desenvolvimento das raízes finas, características das Azaleias.

WR – Para quem não tem acesso ao Kanuma, como é possível acidificar o substrato?
Ivson – Com o uso de matéria orgânica, tais como casca de pinus e turfa. Mas aqui no Paraná existe um substrato chamado Qualytá, produzido pelo Gerson Araldi, que funciona muito bem para Azaleias (veja o box de produtos no fim da matéria). Uma dica interessante é comprar um medidor de PH, é um aparelhinho pequeno e fácil de encontrar. O PH da azaleia deve ficar entre 4,5 e 5,5. Ao medir e identificar que está fora do desejado, é possível colocar vinagre na rega para corrigir o problema, cerca de 1ml por litro de água, uma vez por semana (saiba mais sobre o substrato Qualyta em:http://www.obonsai.com.br/produto/1363-qualita-medio-1-litro).

WR – O que acontece com a Azaleia se o substrato não for ácido?
Ivson – A planta vai sobreviver, mas não terá desenvolvimento pleno em nenhum aspecto. Os efeitos do substrato com PH inadequado refletem principalmente na qualidade da floração, que se torna fraca e rala.

Rega:
WR – No que diz respeito à rega, existe alguma peculiaridade para as Azaleias?
Ivson – Não há muita diferença do restante dos Bonsai. Entretanto, quando as Azaleias estão em período de floração, o ideal é não molhar as flores, regando só o substrato, para que elas não apodreçam rápido e tenham pouco tempo de durabilidade. Se houver chuva, vale e pena resguardá-las. E, como já foi dito, o uso do vinagre na rega para acidificar o solo, caso não se use o Kanuma.

Fertilização:
WR – Qual o tipo de fertilizante mais indicado para Azaleias?
Ivson – O uso de fertilizantes químicos, em formatos líquidos ou sólidos, e até mesmo o Osmocote, não são indicados. As raízes das Azaleias são muito finas, quase lanosas, e o fertilizante químico pode queimá-las com facilidade. O mais indicado são os fertilizantes orgânicos, por serem mais suaves e ainda ajudarem na acidificação do substrato. Eu uso o Biogold e o GreenKing. Mas é perfeitamente possível produzir fertilizantes em casa e que funcionam muito bem. Dá para fazer bolas de adubo usando torta de mamona, farinha de osso, farinha de sangue, extratos de peixes, entre outros elementos, cujo mix fica por conta da preferência de cada bonsaista.

WR – E quanto à frequência e aos períodos adequados para fertilizar?
Ivson – A fertilização das Satsukis deve iniciar no final de inverno/início da primavera e interromper um pouco antes (15-30 dias) do início da floração ou até que os novos brotos tenham parado de crescer. Após a floração é necessário continuar a fertilização, visto que novos brotos crescerão, até o final de abril. No inverno não se fertiliza.

Sol:
WR – Qual a quantidade de sol necessária para a Azaleia Satsuki?
Ivson – A Azaleia Satsuki não tem necessidade de sol pleno, aliás, o sol muito forte pode até ser prejudicial, principalmente quando estão em fase de brotação, pois os brotos novos são sensíveis ao sol agressivo. Mantê-las em meia sombra é o ideal para que fiquem saudáveis. Por meia sombra, me refiro a um local em que elas recebam sol somente pela manhã ou à tarde.

Transplante:
WR – O fato de as raízes da Azaleias Satsuki serem muito finas exige cuidado especial para realizar o transplante?
Ivson – Existem dois casos distintos no que diz respeito ao transplante de Azaleia Satsuki:
1) O primeiro transplante após a compra da planta em viveiro é sempre o mais perigoso, o mais crítico. Nem sempre os produtores conseguem usar substrato adequado, de modo que a massa de raiz fica bastante compactada. Neste caso, é preciso retirar o máximo possível do substrato antigo, às vezes, até lavar as raízes para ajudar a descompactar o torrão.
2) Depois que o exemplar foi plantado em substrato adequado, não será mais preciso mexer tanto nas raízes durante o transplante. O ideal é retirar somente um pouco da parte de baixo e das laterais. Em seguida, cortar quatro ou cinco fatias em “v” da massa de raiz, como se estivesse cortando um bolo. Os cortes em “v” não enfraquecem tanto a planta e novas raízes irão se desenvolver nas fissuras, além disso, a boa drenagem e entrada de ar estarão garantidas.

Ao realizar o transplante a partir deste método, muitas raízes são mantidas intactas, o que diminui o stress do transplante e promove recuperação mais rápida

WR – Existe algum cuidado especial pós-transplante, como o uso de hormônios enraizadores, por exemplo?
Ivson – O hormônio enraizador é sempre um bom auxiliar no pós-transplante, mas não é imprescindível. Outros cuidados são:
- Colocar musgo esfagno umedecido por toda a superfície do vaso, para prevenir ressecamento das raízes;
– Colocar a planta na sombra por 2 ou 3 semanas e gradualmente ir expondo ao sol;
– Não fertilizar até 1 mês após o transplante.
Técnicas de formação:

WR – Qual é a melhor forma para desenvolver a estrutura das Azaleias?
Ivson – Uma grande vantagem no cultivo de Azaleia Satsuki é a facilidade com que ela rebrota, inclusive na madeira velha. É possível deixá-la crescer para engrossar o tronco e depois fazer podas drásticas. Em poucos dias, novas brotações irão surgir em todas as partes. Na medida em que as brotações novas vão crescendo, o bonsaista pode escolher as que ele usará para desenvolver a estrutura, e, então, retirar as que não terão utilidade. A técnica de deixar crescer e podar funciona muito bem para o desenvolvimento das Satsukis.

WR – Esta técnica funciona também no caso de mudas, produzidas por estacas, por exemplo?
Ivson – Aí o caso é um pouco diferente. As Azaleias são plantas basais, quer dizer, elas têm mais força de crescimento na região inferior, por isso, elas desenvolvem várias ramificações na base, o que dificulta a formação de um único tronco. Com estacas, os japoneses utilizam a técnica de retirar todas as brotações da parte inferior da planta, deixando somente uma brotação superior, para que a muda fique bem comprida e fina. Após atingir a altura desejada, é feita a primeira aramação, para dar movimento ao tronco. A partir daí, começa o trabalho de deixar a muda crescer livremente, no vaso ou chão, para que comece a engrossar.

Fonte: http://www.ne.jp/asahi/bonsai/satsuki/

WR– Ivson, neste período de desenvolvimento existe alguma restrição no que diz respeito a deixar a Satsuki florir?
Ivson – Não há restrição visto que após a floração nova brotação surgirá. O que não se deve é deixar os pecíolos das flores que murcharam para não desperdiçar energia extra na formação de sementes.
Aramação:

WR – As Azaleias Satsukis exigem algum cuidado especial com a aramação?
Ivson – A casca da Satsuki é fina, sensível, por isso, a aramação deve ser feita com arame de alumínio, que é macio. Alguns bonsaistas inclusive encapam o arame com papel para não machucar os galhos. O arame pode ser aplicado em qualquer época do ano sendo mais indicado após a floração, mas vale ressaltar que os galhos da Satsuki são pouco flexíveis, quebram com facilidade, por isso, o ideal é aplicar o arame assim que eles se tornam lenhosos. E mais, não adianta tentar fazer curvas muitos acentuadas, pois eles se quebrarão facilmente.

Arame encapado com papel para proteger os galhos 
Fonte: http://bonsaiunearthed.com/fujikawa-kouka-en/satsuki-azaleas/

Detalhe da ramificação da Azaleia Satsuki de Ivson Filipak.



WR – Existe alguma regra para formar a estrutura da Azaleia Satsuki?
Ivson – Não. O mais importante nas Satsukis é a beleza da floração. A estrutura e a posição de galhos não são tão importantes, como no caso dos Pinheiros, por exemplo. Embora existam, sem qualquer problema, Satsukis formadas a partir da estrutura tradicional de primeiro, segundo, terceiro galho etc, elas podem ser formadas a partir de uma grande massa de ramificações, como o caso da minha. O importante é a forma final e como as flores são distribuídas sobre ela.
Desenvolvimento do nebari:

WR – Existe técnica para desenvolver o nebari da Azaleia Satsuki?
Ivson – As Satsukis desenvolvem raízes finas, lanosas, até mesmo na superfície no substrato. No momento do transplante, principalmente de plantas jovens, é importante retirar menos raízes da parte de baixo e mais raízes da superfície do substrato, para ir expondo gradativamente o nebari da planta. Se você retirar muitas raízes da parte de baixo e das laterais, e, ainda assim, precisar retirar da área superior para expor o nebari, é possível que a planta perca muitas raízes e enfraqueça. Neste ponto, é necessário atenção. Mas se o objetivo do artista é trabalhar a Satsuki em estilo neagari [raízes expostas] o ideal é que a planta seja cultivada em um vaso profundo. E a cada transplante deve-se retirar somente o substrato da região superior, assim, as raízes expostas vão se tornando cada vez mais longas e massa de raízes continuará se desenvolvendo para baixo.
Desenvolvimento de ramificação:

WR – Qual é a importância de a Azaleia Satsuki ter ramificações bem desenvolvidas?
Ivson – Devemos pensar que em cada ponta de ramificação se desenvolverá uma flor. O trabalho de ramificação da Satsuki é fundamental para que ela tenha boa silhueta e, consequentemente, floração uniforme. Mas, claro, o trabalho de ramificação deve estar amparado pelos cuidados com o cultivo, o que garantirá floração abundante.


WR – Qual a forma adequada para desenvolver boa ramificação?
Ivson – Para desenvolver boa ramificação é preciso realizar periodicamente podas de manutenção. As ramificações devem ser podadas sempre depois da floração, caso se faça a poda antes deste período, a planta perderá todos os botões de flor e só irá florir no ano seguinte. A ordem do trabalho seria mais ou menos a seguinte:
1) Quando as flores começam a cair, você deve retirar todas elas, juntamente com os pecíolos [pequeno caule que prende as flores às ramificações]. É importante retirar todos os pecíolos para que a planta não gaste energia desnecessariamente produzindo sementes na cápsula da flor.
2) Após retirar as flores e pecíolos, é possível visualizar melhor as ramificações. Como a Satsuki produz várias brotações em um mesmo ponto, devemos deixar somente duas delas, de força semelhante, formando uma bifurcação. Esse trabalho deve ser realizado em toda a planta. Para conseguir melhor equilíbrio de energia, se possível, você pode deixar ramificações um pouco mais fracas na área inferior e um pouco mais fortes na região superior, por conta de as Azaleias terem crescimento basal (veja box equilíbrio de energia).
3) O próximo passo é podar as ramificações que já deixamos em forma de bifurcação. A partir da poda das ramificações é que vamos construindo a silhueta que imaginamos previamente para a nossa planta. Neste caso, não importa se existem folhas ou não na região em que você vai cortar a ramificação. A Satsuki irá brotar normalmente. Aliás, as Azaleias podem ser desfolhadas inteiramente sem qualquer prejuízo para a planta.

WR – Com que frequência essa poda de manutenção pode ser realizada?
Ivson – Isso depende do estágio de desenvolvimento da planta. No caso de bonsai já formado, esta intervenção pode ser realizada na medida em que a planta for perdendo a forma. Já em se tratando de plantas em fase de formação estrutural, o bonsaista deve analisar a necessidade de acordo com a forma e o tamanho que ele pretende alcançar.

WR – Por que na poda de manutenção são deixadas sempre duas ramificações em cada ponta?
Ivson – Por três motivos.
1) ao cortar a ponta de cada ramificação, a Satsuki desenvolverá várias brotações novas naquela região, que no futuro serão reduzidas para somente duas, isso significa que você dobrará o número ramificação a cada intervenção, melhorando constantemente a forma do seu bonsai.
2) As brotações novas precisam de espaço e de sol para se desenvolverem plenamente. Ao deixar somente duas ramificações, você oferece esse espaço necessário para o desenvolvimento pleno dos novos brotos.
3) deixar somente duas ramificações é esteticamente mais agradável e facilitará no momento de colocar os botões de flor na posição correta, o que fará a floração ter aparência uniforme, harmoniosa.
Técnica para conseguir floração uniforme:

WR – Ivson, normalmente a Azaleia Satsuki vai florindo aos poucos. Você poderia explicar qual é a técnica para que as flores desabrochem todas ao mesmo tempo?
Ivson – Para que as flores desabrochem ao mesmo tempo, que é o que eu chamo de floração uniforme, a Satsuki precisa de treinamento, em outras palavras, ela precisa ser “ensinada”. A técnica é aplicada em duas etapas:Em primeiro lugar, vem a fase treinamento: todos os anos, mesmo que a Azaleia floresça de pouco em pouco, espere até ela abrir de 70% a 80% dos botões, então, retire todas as flores, com o pecíolo, e todos os botões que ainda não abriram. Fazendo isso durante alguns anos, a Satsuki aprende que ela deve florescer uniformemente.

A segunda etapa, complemento da primeira, é a seleção e coleta dos botões desnecessários: o ideal é deixar somente um botão de flor na ponta de cada ramificação, caso exista mais de um, retire. Todos os botões que estão no interior da planta também devem ser retirados, porque eles não servirão para compor a silhuetas e só consumiram energia da planta. Mais uma dica é deixar botões de tamanho aproximado, quer dizer, na mesma fase de desenvolvimento. Essa técnica de colher os botões é muito importante, pois com ela você consegue selecionar aqueles que abrirão ao mesmo tempo, e também equilibra a energia que a Satsuki vai dispensar para a floração, já todos os galhos da planta terão aproximadamente a mesma quantidade de botões.Com o passar de alguns anos, a planta vai se educando e passa a florir uniformemente por conta própria. Mas, vale ressaltar, é fundamental a correta fertilização para que a planta tenha energia suficiente para uma boa floração.

WR – Quando falávamos da técnica de ramificação, você citou o fato de reposicionar o botão de flor. Pode explicar melhor isso?
Ivson – Ah, sim, essa é uma dica importante, digamos, um “segredinho” valioso. Depois de aplicar os procedimentos de que falamos agora, é possível que existam botões crescendo para cima ou para os lados, ou até mesmo ramificações um pouco afastadas umas das outras, dependendo do estágio de desenvolvimento da planta. Ao identificar isso, você pode aplicar um arame de alumínio, bem fininho, para reposicionar os botões e pequenas ramificações, preenchendo possíveis espaços vazios. Feito isso, é só esperar os botões abrirem. E contemplar a harmonia da floração uniforme.

WR – É preciso muita dedicação!
Ivson – Sem dúvida! É um trabalho que exige muita atenção, muita dedicação. Mas a Satsuki sempre nos recompensa com uma beleza magnífica. O resultado vale todo o esforço.

WR – Ivson, muito obrigado por dividir conosco o seu conhecimento sobre Azaleia Satsuki.
Ivson – Agradeço a você Wagner, pela oportunidade de transmitir algumas dicas para o desenvolvimento das Satsuki. O bonsai de Satsuki é muito admirado no Japão, tendo inclusive exposições específicas da espécie no mês de maio, que é o mês em que elas florescem lá, com edições anuais de catálogos destas exposições. O cultivo da Satsuki é realmente compensador pela intensa floração das mais variadas colorações. É gratificante!

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Especial - Estacas

Uma das definições da palavra estaca é:
"segmento de um caule ou ramo que, uma vez enraizado, reproduz a planta que o originou."¹
É sem dúvida, um dos métodos mais utilizados para a reprodução de plantas. Originam-se os clones naturais. Você ganha tempo quando se comparado a propagação por germinação de sementes.
Quis reproduzir aqui um texto valioso que achei em um blog² e que consegui verificar veracidade através da minha experiência pessoal além da produção de estacas de algumas plantas citadas por ele. Com o tempo, irei complementar este post para ficar bem completo.

MÉTODO DE PROPAGAÇÃO POR ESTAQUIA
MÉTODO DE ESTAQUIA
Existem 3 tipos de estacas: as de ponteiro, as intermediárias e as basais, que são estacas com diâmetro muitas vezes superiores a 1 cm. Entende-se como estacas intermediárias os galhos do 2º ano de crecimento.
Este método para algumas espécies é bastante eficaz, pois reduz bastante o tempo para se chegar a um bonsai, quando comparamos com o método por sementes, principalmente para as espécies em que se pode usar estacas basais, que muitas vezes já tem o diâmetro de tronco desejado. Os melhores períodos são o início da primavera e o final do verão, para as estacas de ponteiro e intermediárias e o início do Outono para as estacas basais. Esta é apenas uma orientação geral, pois pode-se conseguir bons resultados fora dessas épocas. A seguir veja tabela contendo algumas orientações sobre a estaca ideal para cada espécie.



Espécie (nome popular mais usado)               Tipo de Estaca

Amoreira............................................................Basal
Azaléas                                                               Ponteiro
Azevinho............................................................ Ponteiro
Bordos (Acer)                                                     Ponteiro e Intermediária
Buxus (Buxinho)..................................................Ponteiro
Caliandra (Esponjinha)                                         Ponteiro
Carmona.............................................................Ponteiro
Cerejeira                                                             Intermediária
Criptoméria (Cedro Japonês)..............................Ponteiro
Eugênia                                                               Intermediária
Falso Cipreste Anão (Nanã)................................Intermediária
Ficus                                                                   Ponteiro, Intermediária e Basal
Gingko................................................................Basal
Ipê                                                                      Basal
Jasmin.................................................................Intermediária e Basal
Jacaré (Juníperus Horizontalis)                             Intermediária e Ponteiro
Juníperos em Geral..............................................Intermediária
Lingustro                                                             Ponteiro
Manacá.............................................................. Intermediária
Murta                                                                  Intermediária
Olmo (Ulmus)......................................................Ponteiro
Paineira                                                               Ponteiro, Intermediária e Basal
Pingo de Ouro (Duranta).....................................Ponteiro e Intermediária
Piracanta                                                             Intermediária
Ptecolobus......................................................... Intermediária e Basal
Romã                                                                  Ponteiro, Intermediária e Basal
Serissa.................................................................Ponteiro e Intermediária
Tuia Azul (Junípero Prateado)                              Ponteiro
Zelcowa...............................................................Ponteiro



TIPO DE SOLO
O solo ideal é a areia, mas deixa a estaca muito vulnerável a ação dos ventos, pois as estacas devem permanecer sem serem tocadas até o aparecimento de um bom nº de raízes, que garantam sua fixação. Uma boa alternativa é usar uma mistura composta de 70% de areia e 30% de terra preta.
A estaca deverá ter preferencialmente o tamanho de um lápis. O corte na sua base deverá ser inclinado (ângulo em torno de 45°) e próximo a um nó, que é o local mais favorável ao aparecimento de raízes. Para estacas mais grossas podem ser feitos dois cortes inclinados na base, sendo um deve ser maior do que o outro.
As folhas no terço inferior da estaca deverão ser removidas, preferencialmente com o uso das mãos e não com tesoura. Uma boa prática é a de deixar sempre algumas folhas para se verificar se secou ou não. Folhas muito grandes poderão ser cortadas ao meio. Se deixarmos muitas folhas na estaca ocorrerá uma perda excessiva de umidade, o que poderá comprometer o processo de enraizamento
Existem alguns hormônios que ajudam no processo de enraizamento, sendo que os melhores são os que tem como base o Ácido Indol Butílico (IBA) . Pode-se também regar as estacas com hormônios a base de Tiamina. Para as estacas basais, uma boa prática é a deixá-las com o local onde serão plantadas, mergulhadas em hormônio enraizador por ± 24 horas. Para as de ponteiro e intermediárias deveremos plantá-las o mais rápido possível, sendo que podemos fazer uso de hormônio em pó, molhando a ponta e passando no hormônio e plantando em seguida.
O recipiente em que serão colocadas as estacas, deverão ter uma profundidade suficiente para que ela fique firme (enterrar cerca de 1/3 do seu tamanho), sem contudo encostar no fundo. Uma sugestão é o uso de garrafas de refrigerante de 2 litros cortadas ao meio e furadas na parte inferior para uma boa drenagem e, por serem transparentes podemos acompanhar o processo de enraizamento. Costumo usar esse método para as estacas com maior potencial de enraizamento, pois posso deixar até o momento de fazer uma poda de raiz.
È importante manter a umidade nas estacas, e assim sendo, se não podemos borrifas as folhas pelo menos 3 vezes por dia, poderemos então fazer uso de um plástico transparente por cima das estacas, lembrando de deixar sempre alguma abertura para circulação do ar.



FONTES
¹ http://bemfalar.com/significado/estaca.html
¹ https://bonsaisbecker.wordpress.com/dicas/metodo-de-propagacao-por-estaquia/

terça-feira, 26 de julho de 2016

Bonsai de apartamento - Fabiano Batista.


Bom dia, meus irmãos na arte!
O post de hoje, de retomada rs, será sobre um assunto cada vez mais comum no mundo em que vivemos. O cultivo de bonsai em apartamento. É uma tendência mundial. Para isto separei um texto feito pelo meu amigo Fabiano Batista, fundador do grupo Bonsai Paulistano no facebook, um grande amigo a qualquer hora e que também tem o prazer de compartilhar suas experiências de 20 anos de bonsai. Ele tem inclusive livros do grande mestre John Naka autografados o qual eu já tive o prazer de ver em um dos encontros.
Vamos ao texto!

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Voltei a cultivar Bonsai, em 2014, na sacada do meu apartamento em São Paulo – SP.


Como a sacada do apartamento é bem pequena, limita muito o tamanho e a quantidade de plantas, que posso cultivar.

Estou tendo que adaptar todo meu conhecimento, para poder manter minhas plantas saudáveis e desenvolvendo, em um ambiente muito longe do Ideal, para o cultivo do Bonsai.

As principais dificuldades, estão sendo, a falta de espaço, falta de iluminação, baixíssima umidade do ar (30, 20, até 15%), muito vento, além de muito frio (para um Carioca... kkkkk).

Então, vou falar de cada uma dessas dificuldades, tentando adaptar a solução, para a realidade de muitos, que se interessam pela arte do Bonsai.

1) Falta de Espaço:

Plantar no chão, ou em uma bacia grande, é a “Dica Padrão”, que muitos “Bonsaistas Experientes”, costumam dar aos iniciantes, quando esses, postam a foto de uma muda, ou uma planta pequena.
O problema, é que “Mestres” e “Bonsaistas Experientes”, moram em Sítios, Chácaras, ou casas com quintal grande.

Eles não estão errados, ao sugerir isso!
Mas geralmente, não tem ideia das condições "desfavoráveis" que nós temos, para cultivar as nossas plantas.

Em um apartamento, ou uma casa sem quintal, o espaço é um limitador “Cruel”.
Temos que criar limites de tamanho, quantidade e espécie de plantas que iremos cultivar.

Não tem como “Engrossar Tronco”!
Não adianta quebrar o piso, que você não vai achar terra para “Plantar no Chão”.
E provavelmente, não vai ter espaço para colocar uma “Bacia de Terra”.

Sendo assim, precisamos escolher plantas, já com a espessura de tronco que desejamos.
E trabalhar somente a Copa e o Nebari.

A espécie escolhida, também é muito importante.
O tamanho da folha, influencia no tamanho da planta.
Não dá para ter um Bonsai grande, pesando mais de 50Kg, dentro de um apartamento.
Já pensou na hora replantar?

Eu resolvi cultivar Plantas com no máximo 10cm de base e 25cm de altura (Shohin)
Dava para ser um pouco maior, mas iria limitar muito a quantidade de plantas que posso ter.

2) Falta de Iluminação:

Outra “grande dica” que os iniciantes recebem, é colocar a planta para pegar Sol o dia inteiro.
Principalmente, se a planta do iniciante, for uma Conífera (ex.: Pinheiro, Junípero, Tuia).

Mas nem todo mundo tem o seu “Lugar ao Sol”, para colocar as suas plantas.

Pode ser que você tenha uma sacada, um terracinho, ou uma janela, que bate bastante sol.
Se for assim, você já tem uma grande vantagem!

Mas... e se não bater sol direto?

Eu também tenho esse problema, com algumas das minhas plantas.
Nem todas pegam Sol direto.
E essas, não crescem, ou crescem devagar e fracas.

Para suprir essa necessidade de Sol, podemos utilizar lâmpadas próprias para cultivo de plantas.
Não é difícil de encontrar.

Estou optando por utilizar LEDs, que consomem menos luz e não emitem raios UV.
Estou preparando um artigo, só sobre esses LEDs.

3) Vento e Baixa Umidade do Ar:

Mais uma “Dica Padrão”, que os iniciantes recebem:
“Tem que usar um substrato bem drenante!”

Eu estava acostumado a usar substrato “Bem Drenante”!
E foi o que eu utilizei, com as primeiras plantas que coloquei no apartamento.

Eu tinha que molhar de manhã e à noite, porque estava secando muito rápido.
E em um belo dia, eu estava com pressa e esqueci de molhar de manhã.
Quando cheguei em casa, metade das plantas estavam mortas.

Descobri que o substrato que usei por muitos anos, mesmo no calor de 40 graus do RJ, não funcionou em SP.

Coloquei um medidor de umidade na sacada e vi que nem em dias chuvosos, passa de 30%.
Isso, aliado ao Vento e vasos pequenos, fez o substrato secar muito rápido.

Em menos de 2 anos, já fiz umas 10 receitas diferentes de substrato.
Mas nesse ponto, cada um vai ter que testar o substrato, que melhor se adapta ao “Micro Clima” da sua casa ou apartamento.

A dica que posso dar, é utilizar vasos mais fundos, até conseguir encontrar o substrato ideal.

Lembre-se, que a planta precisa sentir um pouquinho de falta de água, para que as raízes cresçam, em busca de mais água.

Se ficar sempre encharcado, as raízes não crescem direito e corre o risco de apodrecerem.

4) O Frio e a Chuva:

Tem plantas que adoram o frio e a chuva.
Pode até Nevar em cima delas, que não tem problema.
Lindo...

Agora volta para a realidade!
Você mora num AP ou numa casa pequena.
Não está chovendo na sua Horta...
Digo... Não está chovendo no seu Bonsai!

O Frio e a Chuva, podem causar a falsa impressão, que não precisa molhar a planta.
E com isso, ela morre por falta de água.

Um dia frio, pode ser também muito “Seco”, fazendo com que o substrato e a planta, percam umidade rapidamente.

Cuidado redobrado.
Se estiver com a sensação que não precisa molhar hoje, pelo menos VERIFICA!

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Para complementar o que eu disse, veja os seguintes artigos, na minha página pessoal “Bonsai – Fabiano Batista”.

PARA COMEÇAR
ESCOLHER PLANTAS
SUBSTRATO
MOMENTO DE REFLEXÃO

Por enquanto, é isso Pessoal...
Quando tiver mais informações, eu atualizo o texto.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Ficus Microcarpa - Sergio Batalini

Sergio Batalini, amigo de Pontal do Parapanema - SP, nos concedeu imagens do seu trabalho com um ficus microcarpa que adquiriu em 2008. É impressionante o que ele conseguiu realizar nesta planta.
Podemos dizer que tudo depende da visão do bonsaista, transformar plantas que para alguns pode ser apenas um toco, em magníficas obras. Veja pelas fotos!
Ele também tem minha admiração pelo fato de cultivar e ser apaixonado por espécies nativas do Brasil, desenvolvendo nosso espaço e identidade no bonsai.
Conheça mais sobre Sergio Batalini em sua entrevista para a AIDO BONSAI.

Vamos ao trabalho!
Textos, legendas e fotos pelo Sergio.
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Sequência mostrando a evolução deste fícus, desde quando comprei num viveiro em 2008. Estava em uma lata de 18 litros e com mais de 2 metros de altura. Novamente tento mostrar que é possível fazer bonsai com muito pouco, sendo que o mais importante é o estudo, a dedicação e a paciência. Devemos buscar o prazer em cultivar, observando o desenvolvimento da planta e de nós mesmos.




2008 - Por segurança cortei mais alta do que eu queria e como tinha bastante raizes capilares pude reduzir o torrão, eliminando uns 80%. Em pouco tempo começou a brotar ...


2009 - Já recuperada do transplante da lata para a bacia, começou a escolha dos galhos que vão compor a futura copa.

2010 - Nesta foto vemos o toco do galho que foi retirado, eliminando aquela forquilha da 2 foto. O galho mais forte foi conduzido para ser o novo apce e melhorar a conicidade. Os galhos mais baixos foram aramados na horizontal e já comecei a estimular os galhos secundarios e terciarios...

2011 - Com os galhos principais já desenvolvidos troquei a bacia por um vaso provisório, A cicatriz do tronco que foi retirado ainda esta enorme e foi tratada e escareada constantemente.

2011 -A cada troca de substrato aproveito para alinhar melhor as raizes aereas . A copa segue forte e ramificando.

2012 - Já ficou com aspecto de bonsai, mas ainda sem muita qualidade tecnica. Com mais alguns anos a estrutura aerea ficará mais intrincada.

2013 - Foi preciso ancorar os galhos, a força da especie insistia em levantar os galhos quando estava só com os arames. Os patamares estão se formando.

2014 - Folhagem nova , muito vigor.
2014 - Alguns meses depois, folhas maduras e a cada desfolha ficando menores.

2014 - Vista por dentro... Boa conicidade, galhos bem distribuidos e ficando proporcionais.

2014 - A cicatríz foi tratada e já esta bem melhor ....A capacidade de recuperação da especie é enorme .


2015 - A copa já esta mais porporcional ao tronco, com galhos fortes e bem ramificados, Um outro vaso foi escolhido, ainda não é o ideal, mas estamos em busca de um outro.
2015 - Aqui esta o bonsai desfolhado para analizarmos a estrutura aerea e a cicatriz, acredito que em mais alguns anos ela desaparecerá e restará apenas um belo uro.

2015 - Vista de cima. Deste ponto em diante quase não preciso mais aramar, restando apenas direcionar os galhos terciarios e os ramos mais finos com podas regulares. Espero que tenham gostado.





Com toda a certeza Sergião! gostamos e agradecemos esta "aula" que pudemos ter vendo seu trabalho. Deixo meu grande abraço e meus agradecimentos.

João Pinheiro.




sábado, 19 de março de 2016

Produção de adubos orgânicos (por Sérgio Siqueira).



Passo a passo da produção de adubos orgânicos pelo nosso grande amigo e mestre Sérgio Siqueira.

Fáceis de fazer, compactos, estéticos, funcionais e naturais estas pastilhas são extremamente agradáveis as nossas queridas plantas por combinarem elementos tão importantes para o desenvolvimento e saúde do bonsai e de todas as plantas no geral.

Pela farinha de osso, obteremos muitos nutrientes minerais (formação de estrutura), fósforo (que desenvolve caules, raízes e sementes) e cálcio (evita a acidez do solo).


Já pela torta de mamona, o nitrogênio é abundante ( responsável pelo crescimento das plantas, pela produção de novas células e tecidos) e controla a umidade do solo, sua aeração e promove a recuperação de solos com baixa fertilidade.

Vamos a matéria, escrita pelo próprio amigo.

Fotos e legendas: Sérgio Siqueira.

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Material necessário: farinha de osso, torta de mamona e água.
Para cada 7 copos de torta de mamona agregar 3 copos de farinha deosso. (70% e 30%).

Preparo:
Misturar tudo numa bacia e dar a liga com água...nem muito...nem pouco...o necessário para formatar as bolotas.
geralmente essas colheres vem junto com a torta ou farinha...são dosadores...colher de sopa e chá.
apertar bem, bastante para que compacte bem.
com pequenas batidinhas faça-as sair do casulo.
vá alinhando em uma superfície que possa ser movida de lugar.
quando pronto, deixe secar, esturricar ao sol...por uns cinco dias. retire à noite para não pegar serêno.
após seco guarde em lugar seco e fechado.

Modo de usar:
Coloque as bolotas viradas como secaram no vaso com uma distância entre elas de uns 10 cm. a quantidade dependerá do tamanho do vaso...lembrem-se que adubação orgânica não causa super dosagem. retire e recoloque a cada dois meses.
na recolocação tente não colocar nos mesmos lugares para que o vaso todo receba a adubação. tenho certeza que vocês terão resultados positivos e seguros.
boa sorte.

Material necessário.

7 copos de torta para 3 de farinha. cuidado para não inverter.

Misturar bem.
Água o necessário para dar a liga.
Mistura pronta.
Um a um apertar bem para não desmanchar depois quando regados.
Apertar bem.
Pequenas batidinhas na mesa.
Elas caem.
Bora trabalhar.

Molhar a pazinha de vez em quando... que nem com sorvete de massa.

Duas horas depois, escutando um bom som e tomando um chá gostoso.

**Dica do mestre: Neste momento ao ser questionado se tal mistura, muda muito o PH do solo, o mestre responde: "Acidifica um pouco, por isso quando coloco num junípero...sei que depois terei que alcalinizar o solo mais à frente e faço questão de retirar os pelets não deixando que eles dissolvam no solo...mas se for azaléa, mirtáceas e outras em geral...deixo correr solto, pois é isso que elas gostam...solo ácido..."
Primeira fornada pronta pro sol... servidos?
Secar, torrar, esturricar ao sol...e estão prontos para serem usados.
Flores da Pitangueira do mestre.
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Finalizo agradecendo ao nobre amigo por mais uma contribuição ao nosso blog.
Lembrando que no próximo final de semana, acontecerá a 43º exposição de bonsai no Jd. Botânico de São Paulo. Quem puder ir, não se arrependerá! Além de poder ver de perto o trabalho de nossos amigos bonsaistas como o Sérgio Siqueira, Mizuno, Regina Suzuki, Dóri entre outros, poderá comprar vasos do Izumi e de outros artistas, plantas e bonsai de boa procedência e em geral por preços justos.
Grande abraço, até a próxima.


João Pinheiro.


quinta-feira, 3 de março de 2016

O Tokonoma.




Recentemente, nosso amigo Cézar Augusto, um dos responsáveis pela atual difusão da arte em Sorocaba e proprietário da Bonsai Sorocaba, publicou os elementos do Tokonoma em sua página no facebook.

Quem nunca se encantou em ve-los em filmes japoneses ou por exemplo no Ibirapuera?





Entenda alguns elementos que compõe um Tokonoma (estrutura mais nobre da sala de chá japonesa) ou uma exposição de Bonsai.

1 - Kakemono (representa o céu) = é um rolo vertical, onde é apresentada uma poesia, um provérbio, ou uma pintura retratando uma paisagem.

2 - Kusamono (representa a terra) = plantas que podem ser apresentadas individualmente, mesmo sem bonsai devido a maturidade adquirida.(São ervas, flores, musgos, gramíneas e outras plantas colocadas em vasos irregulares, pedras ou troncos secos.)

3 - Bonsai (representa a harmonia entre céu e a terra) = Árvore em miniatura, cultivada em um vaso ou em pequenos recipientes. É uma expressão artística da natureza, cujo grau de beleza depende do cuidado dispensado por seu cultivador.

4 - Shoku é a mesa que se usa para colocar o bonsai em cima e dar-lhe assim uma posição de destaque.



Agradeço ao Cézar a autorização para reproduzir o artigo em nosso blog. Abraços!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A Desfolha, por Carlos Tramujas.


A desfolha, por Carlos Tramujas.
Hoje irei publicar uma entrevista gentilmente cedida pelos autores, dois “monstros” do bonsai Nacional: Carlos Tramujas e Elio Nowacki!.
Esta matéria saiu na APB - Associação Paranaense de Bonsai, feita pelo então presidente dela: Elio como entrevistador e Tramujas como o entrevistado.
Sem dúvida, uma das melhores na minha opinião não só no assunto que aprimora o desenvolvimento de nossas plantas mas por deterem bom nível de conhecimento. Através da mesma, conseguimos entrar um pouco mais na lógica do comportamento da planta e entender mais um pouco do seu funcionamento.
Agradeço por permitirem a exposição deste grande conteúdo em nosso humilde blog.
Abraços,
João Pinheiro.
APB: A desfolha é um dos assuntos que gera informações controversas. Você acha que este assunto merece uma melhor atenção por parte dos bonsaístas? 


Carlos Tramujas: Acho importante num primeiro momento definir o termo “desfolha”, que nada mais é do que a retirada das folhas de uma árvore através de métodos mecânicos e manuais ou químicos. Este processo poderá ser total ou parcial conforme a necessidade ou o objetivo que queremos alcançar. O método manual consiste na eliminação das folhas com tesouras, pinças desfolhadoras ou até mesmo as mãos e é o método que utilizamos usualmente no cultivo do bonsai. No caso da desfolha química, utilizam-se certos produtos como, por exemplo, a própria uréia em altas concentrações. É um método para se trabalhar com um grande volume de plantas e que deverá ser aplicado sempre com muito cuidado, dependendo do produto utilizado e da espécie em questão.


A desfolha sem dúvida é uma das técnicas utilizadas no bonsai que merece muita atenção. Normalmente as pessoas que estão iniciando na arte, têm um certo receio em realizá-la, até por ainda não terem muita intimidade com as plantas. Para quem não está familiarizado com o assunto, arrancar todas as folhas de uma árvore pode parecer um tanto agressivo, além de gerar dúvidas com relação à integridade da planta. Espero poder esclarecer aqui os principais pontos relacionados

APB: Quais os principais motivos que devem levar alguém a fazer desfolha? 


Carlos Tramujas: Realizamos a desfolha com as seguintes finalidades:


 – Reduzir o tamanho das folhas da árvore.
Um dos objetivos principais da desfolha é a redução do tamanho das folhas, com a finalidade de obtermos resultados mais harmônicos e proporcionais, principalmente quando trabalhamos com bonsai de pequeno e médio porte. Como normalmente a desfolha é feita no verão onde o vigor da brotação é inferior ao que ocorre na primavera, as folhas se desenvolvem naturalmente menores. Após alguns anos consecutivos utilizando o método da desfolha é possível conseguirmos folhas com um tamanho até vinte vezes inferior ao tamanho das folhas de plantas cultivadas no campo, por exemplo.


– Aumentar a ramificação dos galhos.
O aumento da ramificação dos galhos é resultado do estimulo das gemas dormentes e que estão presentes nas axilas das folhas. Quando retiramos as folhas, estimulamos diretamente o desenvolvimento destas gemas e muitas delas se transformam em novos e pequenos galhos. Para aumentar a probabilidade destas gemas dormentes se desenvolverem, devemos eliminar a extremidade do galho que foi desfolhado, pois desta forma inibiremos o seu crescimento apical, estimulando o desenvolvimento dos brotos localizados na parte interior. Do contrário, se não eliminamos a ponta do broto ou do galho, a força de crescimento irá para sua extremidade fazendo com que cresça em extensão, desenvolvendo desta forma, folhas ainda maiores o que inibirá a brotação na parte interna. Devemos lembrar que quanto maior a ramificação secundária e terciária da árvore, maior será a tendência desta planta em produzir folhas menores. 


– Estimular o crescimento de certas regiões da planta, inibindo o desenvolvimento de outras.
Utilizamos também a desfolha para favorecer o crescimento em algumas zonas da planta, restringindo ao mesmo tempo o crescimento em outras partes, para desta forma equilibrarmos o desenvolvimento da planta como um todo. Se por exemplo, queremos engrossar um galho de um Acer, quando realizamos a desfolha, eliminamos as folhas de toda a planta, menos do galho que queremos engrossar, desta forma, esta região da planta continuará crescendo continuamente, enquanto o resto da planta, ficará com o crescimento parado, até que se inicie a nova brotação. É muito comum utilizarmos este tipo de desfolha quando queremos corrigir o diâmetro do ápice, quando este é demasiado fino em relação ao restante do tronco.


– Troca das folhas em árvores de folhas perenes, eliminando as folhas velhas, danificadas, e com o aspecto feio.
A desfolha neste caso serve para melhorar a estética da árvore, e é utilizada no caso de árvores com folhas perenes, ou seja, que não perdem as folhas no outono. Os ficus em geral são um bom exemplo, já que não perdem as folhas e normalmente no final do inverno, estas, apresentam um aspecto feito e amarelado. Nestes casos, é muito conveniente trocarmos as folhas todas da árvore, para obtermos uma folhagem nova.  


– Acentuar a coloração outonal em árvores de folhas caducas.
Um dos motivos pelo qual desfolhamos as árvores de folhas caducas é para acentuar a coloração outonal, assim como para garantir uma permanência maior das folhas na planta. Se mantivermos as folhas do crescimento primaveril, muitas vezes ao passar pelo verão as folhas ficam levemente queimadas e quando chegam no outono, elas secam parcialmente ao invés de assumirem a coloração outonal. Do contrario, se fazemos a desfolha no verão, as folhas chegam no outono, muito mais bonitas e vigorosas, tendo mais condições de assimilarem os açucares necessários para a mudança de cor.  


– Realizar aramações durante o verão com a finalidade de refinar a estrutura da árvore.
Quando desfolhamos as árvores no verão, podemos aramar sem problemas, primeiro porque a ausência total de folhas facilita muito a colocação do arame principalmente sem danificar brotos jovens e gemas e segundo porque o crescimento a partir da nova brotação que muitas vezes ocorrerá no final do verão, já não é tão intensa, o que propiciará que o arame fique muitas vezes até o final do inverno.

APB: Sabemos que muitas espécies não aceitam a desfolha. Poderia nos exemplificar? E porquê?


Carlos Tramujas: Existem duas situações básicas em que não realizamos a desfolha, a primeira delas é quando a espécie não necessita, ou seja, já apresentam folhas com um tamanho bastante reduzido, como é o caso da Serissa, do Cotoneaster, ou da Lonicera. Nestes casos a aplicação desta técnica é inviável, primeiro pelo trabalho exaustivo e depois pelo pequeno resultado obtido. A segunda situação está relacionada com a dificuldade que algumas espécies apresentam em brotarem após a eliminação total das folhas. Como experiência pessoal posso comentar que, sem dúvida, podemos aplicar esta técnica na grande maioria das árvores que são trabalhadas como bonsai, principalmente se aplicamos a técnica de uma maneira correta e respeitando sempre a integridade da árvore.


Ao longo dos meus anos dedicados à arte do bonsai, posso dizer que já desfolhei quase todas as espécies que passaram pelas minhas mãos, com resultados bastante satisfatórios. Não posso deixar de comentar sobre as espécies de coníferas em geral, como o caso dos Juniperus, Pinus e Chamaecyparis entre tantas outras, que não aceitam a aplicação da desfolha, com o risco de perdermos a planta. Por outro lado, a grande maioria das caducifólias suporta bem esta técnica, com poucas exceções, como é o caso do Ginkgo biloba,  que apresenta uma brotação falha após a aplicação da técnica. Mesmo noAcer palmatum atropurpureum, por exemplo, que é freqüentemente citado na literatura como uma espécie que não tolera a  desfolha,  pela  dificuldade  que   apresenta  em desenvolver suas gemas dormentes, tenho aplicado a desfolha com muito sucesso.

Já as pitangas, jabuticabas, e outras mirtáceas toleram perfeitamente a aplicação desta técnica. A conclusão a que chegamos com relação a esta técnica é que a medida em que adquirimos mais experiência dentro da arte e desejamos cultivar bonsai com mais intensidade, a desfolha se torna indispensável.

APB: No caso das caducifólias, devemos fazer a desfolha se elas por si próprias não se desfolharem na época propícia? 


Carlos Tramujas: Este já é outro caso. Como comentei anteriormente, podemos ter como referência de melhor época para realizarmos a desfolha, meados do verão, ou seja, Janeiro e Fevereiro, pois nesta época as árvores têm reservas suficientes para brotarem, mas não com o mesmo vigor da primavera. Na realidade quando fazemos a desfolha no verão, induzimos a planta a pensar que está diante de uma nova primavera. No caso da sua pergunta em específico, realizaremos a desfolha, só que na época de perda normal das folhas, ou seja, na entrada ou entre o outono. Isto se faz necessário quando cultivamos árvores caducas em regiões onde o inverno não é rigoroso o suficiente para fazer as plantas entrarem em dormência. Em alguns casos as árvores cultivadas nestas condições perdem apenas parte das folhas, e o restante deve ser eliminado manualmente. Este processo ajuda um pouco na adaptação da árvore, mas sem as horas de frio suficientes, dificilmente esta planta se desenvolverá em sua plenitude, como, por exemplo, apresentando as bonitas colorações outonais.

APB: E a desfolha parcial para incentivar a brotação. Poderia nos esclarecer? 


Carlos Tramujas: A desfolha parcial já foi comentada anteriormente, e é uma das maneiras de estabelecermos um equilíbrio na harmonia entre todas as zonas da árvore. Podemos utilizá-la para engrossar um primeiro galho, por exemplo, deixando-o crescer a medida em que desfolhamos o restante da planta, ou mesmo para engrossar o ápice no caso de uma poda radical com a substituição do líder. O importante a entendermos no caso da desfolha parcial, é que o elemento da planta que continuar com folhas, seja o galho, o ápice ou mesmo um pequeno broto, ele será privilegiado em crescimento, em relação ao restante dos elementos que formam a estrutura da árvore e que foram desfolhados.


Quando falamos em desfolha parcial total da planta, nos referimos na eliminação de uma certa porcentagem da massa verde, para facilitarmos a ventilação e a entrada do sol, como no caso das Bougainvilleas (Primaveras) que brotam com muito vigor, formando massas de folhas demasiadamente densas e compactadas. É importante nestes casos eliminarmos as folhas velhas e grandes e tentarmos fazer com que a copa da árvore respire melhor. Desta forma também prevenimos que os pequenos brotos situados no interior da árvore não  sequem por falta de luz. Esta operação é considerada mais uma limpeza do que propriamente  uma desfolha. 

APB: Mesmo considerando que nosso país tem dimensões continentais, Carlos, dá para formular uma regrinha sobre desfolha com relação às épocas?


Carlos Tramujas: Se entendermos o processo, podemos realizar a desfolha, mesmo sem olharmos para o calendário. O primeiro que devemos observar é que as folhas estejam realmente maduras, ou seja, no máximo do seu tamanho natural e desenvolvimento. O segundo ponto está em observarmos o crescimento geral da planta. O momento da desfolha é justamente entre uma fase de crescimento e outra. Isto pode parecer confuso, mas é fácil de entendermos se observamos, por exemplo, o crescimento de um Acer que começa a se desenvolver com vigor na primavera, onde os brotos podem atingir mais de um metro se deixados crescerem livres. 

Após este período de brotação intensa, a planta para de crescer por um período, como se estivesse descansando, isto ocorre normalmente no final da primavera e continua até praticamente a metade do verão, onde reinicia seu crescimento, só que desta vez com menos vigor e intensidade.

O ponto correto para realizarmos a desfolha é momentos antes da planta reiniciar esta segunda fase de crescimento. No caso do Acer e das caducifólias em geral é mais fácil identificarmos esta situação, mas com um pouco de prática passaremos também a identificar nas demais espécies. Estes “melhores momentos” é que definem a quantidade de desfolhas que podem ser realizadas durante o ano, sem estressar demasiadamente as plantas. As bougainvilleas, por exemplo, podem facilmente ser desfolhadas duas ou até três vezes ao longo do ano, principalmente em regiões com climas favoráveis e sem invernos definidos. Como regra básica para quem esta começando, a metade do verão sem dúvida, é o melhor momento. Outro conselho é que comecem apenas com uma desfolha por ano independente da planta, até conhecerem melhor as espécies com que estão trabalhando no momento.

APB: Planta debilitada ou doente, pode ser desfolhada? 


Carlos Tramujas: Este é um dos principais comentários a ser feito nesta entrevista. Não adianta de nada conhecermos as técnicas em profundidade, aplicá-las corretamente, se nossas árvores não tem condições de suportá-las. A desfolha jamais deverá ser aplicada em plantas debilitadas, fracas ou mesmo doentes, com risco de perdermos galhos inteiros e até mesmo a planta toda. A recuperação da planta após a eliminação total das folhas requer uma energia muito grande, portanto devemos antes de fazer a desfolha estarmos atentos para três pontos importantes:

O primeiro está relacionado com a adubação, pois se adubarmos a planta no momento da desfolha, existe a probabilidade das folhas novas virem ainda maiores que as anteriores. Para evitarmos esta surpresa é conveniente realizarmos a ultima adubação duas ou três semanas antes de desfolharmos, sendo que voltaremos a adubar se for necessário, somente depois do amadurecimento completo das folhas novas. 


O segundo ponto diz respeito à aplicação da desfolha na época mais adequada, principalmente em regiões com estações definidas, com é o caso do sul do Brasil. Se desfolharmos muito tarde nestas regiões, a planta não terá capacidade de brotar antes de entrar no outono e enfraquecerá bastante. 


O terceiro ponto está diretamente relacionado com os cuidados básicos após a desfolha. Não devemos esquecer que a absorção de água pelas plantas com a ausência total de folhas é muito pequena ou quase nula, portanto é conveniente também controlarmos a freqüência da rega, deixando que o substrato seque levemente entre uma rega e outra. Após a brotação, voltaremos a regar de forma normal. O excesso de água no momento da brotação também poderá aumentar significativamente o tamanho das folhas. O sol é um redutor natural do tamanho das folhas, portanto o melhor após a desfolha é colocarmos a planta a pleno sol, se por acaso for uma espécie mais sensível, deveremos protegê-la apenas nas horas mais quentes do dia. Plantas cultivadas em ambientes sombreados têm naturalmente as folhas maiores do que aquelas cultivadas a pleno sol. Se por acaso temos uma planta doente ou debilitada, deveremos sempre em primeiro lugar recuperar esta planta, antes de aplicarmos qualquer tipo de técnica de poda ou de modelagem.


APB: Cronologicamente, desfolha, aramação, poda de raízes e transplante podem ser feitos num mesmo momento? 


Carlos Tramujas: Podem em algumas espécies, desde que sejam previamente preparadas para agüentar isso tudo de uma só vez. Como a maioria das desfolhas são realizadas em pleno verão, este sem dúvida não seria o melhor momento para transplantarmos, mas o que podemos fazer sem dúvida é passar um bom arame. As espécies de Ficus em geral toleram a aplicação destas operações simultaneamente. Na Espanha, onde trabalhei, os Ficus eram desfolhados, aramados e transplantados de uma só vez e durante o pleno verão. Os motivos principais são, que a brotação da primavera como é mais intensa resultava em brotações muito vigorosas e, portanto com folhas muito grandes.
Outra coisa é que ajudava também a aliviar um pouco o excesso de tarefas com as demais espécies na entrada da primavera. As técnicas de desfolha e aramação quase sempre devem caminhar juntas, uma complementando a outra. 

APB: Carlos, muito se fala em desfolha manual ou cortando a folha com tesoura preservando o pecíolo. Poderia nos esclarecer esse assunto? 


Carlos Tramujas: A desfolha com a pinça desfolhadora ou mesmo com a tesoura é muito trabalhosa, principalmente em árvores grandes e frondosas e muitas vezes durante o processo dá vontade de arrancarmos as folhas com as mãos para terminarmos de uma vez.

Antes de comentarmos sobre plantas específicas, devemos entender o que nos leva a optar por um método ou por outro. Sempre o método manual, arrancando as folhas com os dedos será o mais fácil e o mais rápido, mas para aplicá-lo com segurança, antes devemos observar as gemas dormentes nas axilas das folhas (ponto de inserção do pecíolo no galho) e fazermos um teste. 


Arrancamos algumas folhas isoladamente e observamos o estado em que ficou a gema dormente. Em algumas situações quando arrancamos uma folha, a gema se destaca do galho e acaba saindo junto com ela, presa ao pecíolo, em outros casos, apesar da gema permanecer no galho fica muito danificada. Um dos fatores de extrema importância que ajuda a minimizar estas dificuldades é que sempre devemos levar em conta o sentido em que arrancamos as folhas e este deverá ser sempre no sentido da extremidade do galho.OAcer palmatum é uma espécie que devemos desfolhar sempre utilizando a tesoura, pois suas gemas são muito sensíveis. A maneira correta de fazermos é cortarmos os pecíolos das folhas pela metade, sendo que depois de alguns dias, estes cairão sozinhos. 


No Acer buergerianum, por exemplo, a desfolha pode ser manual, e o que fazemos é fecharmos a mão na base do galho com uma leve pressão e puxamos em direção a sua extremidade, arrancando desta forma todas as folhas. Se por acaso não saírem todas, no final do processo repassamos galho por galho eliminando as que permaneceram, mas sempre prestando a atenção no sentido em que as arrancamos. Com os ficus em geral podemos proceder da mesma forma, assim como com as jabuticabeiras, pitangueiras, ulmus e muitas outras espécies.


APB: Bem, acho que tivemos uma verdadeira aula sobre desfolha que, com certeza, estará ajudando em muito a todos nós praticantes dessa nobre arte. Muito obrigado Carlos.


Carlos Tramujas: Gostaria de aproveitar a oportunidade para dar os parabéns ao Eduardo Campolina pela belíssima iniciativa de divulgar a arte do bonsai através desta revista digital. Espero em outros momentos poder voltar a dar a minha contribuição.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Princípios básicos da poda estrutural.


Após a poda drástica, aquela em que praticamente só é deixado o caule, a árvore emite diversas ramificações para adensar a copa novamente. Gemas que estavam em dormência, são estimuladas, originando um novo ramo.
No Bonsai, tais ramos secundários crescem e ao atingirem o calibre almejado, novamente podamos próximo do início do ramo, obtendo harmonia de aos poucos ela ir se afinando. Compactando e estimulando novas ramificações: terciárias, quaternárias...
Tal técnica é conhecida internacionalmente como "Clip and Grow"(Poda e deixa crescer.) amplamente defendida pelo grande mestre John Naka.

 
 Árvore que exemplifica as ramificações originadas após uma poda drástica.

04/03/2016 - Ilustrando o engrossamento gradativo dos ramos com seu crescimento.
Ramificações mais grossas após a poda em outra árvore.